Simon Bolívar, um
dos ícones esquerdistas do século XIX, ao fugir da Colômbia,
escreveu uma carta ao General Flores, governante do Equador, dizendo
que, após 20 anos de governo, tinha algumas certezas, entre as quais
a de que "a única coisa a se fazer na América é ir embora" (1).
Atento a esse conselho e supostamente por sofre ameaças de morte, o
ex-deputado Jean Wyllys renunciou ao seu mandato e também fugiu. O
parlamentar não revelou o seu destino, mas aposto que deve ser
alguma nação civilizada, desenvolvida e, claro, capitalista, afinal
não passa pela cabeça dos esquerdistas viverem em Cuba, Venezuela,
Bolívia ou Coréia do Norte.
Particularmente, não
condeno a opção de Jean. Trata-se de uma decisão inteligente e
sensata e não oportunista. Acredito sinceramente que ele tenha mesmo
receio de ser assassinado. Esse pesadelo é compartilhado por todos
os brasileiros, pois vive-se num dos países mais violentos do mundo.
São sessenta mil vidas ceifadas violentamente ano após ano no
Brasil. Um cidadão por aqui tem mais chance de ser baleado ou
esfaqueado do que um soldado em combate na Síria. Nesse
contexto, a melhor saída para o Brasil é o mesmo
aeroporto. Quem
tem condições, pode e deve ir embora, como já o fizeram tantos
artistas globais, modelos e empresários, que, por vezes, até
conservam os seus negócios no Brasil, mas salvam as suas famílias
da selvageria das metrópoles tupiniquins. A ponte aérea agora não
é mais Rio-São Paulo, mas Rio-Miami, o destino preferido desses
brasileiros afortunados, inclusive daqueles que, por aqui,
vociferavam contra o imperialismo do Tio Sam.
O oportunismo de
Jean consiste em explorar politicamente a sua opção pessoal de
mudar de país para desfrutar de uma vida mais tranquila e segura. Só
faltou combinar com os diretores da Vale. O plano do ex-deputado foi
atropelado pela tragédia de Brumadinho. A lama da barragem da
mineradora soterrou centenas de vidas e, por tabela, varreu o calor
dos holofotes que Jean tanto ansiava. Que azar. Jean deveria ter a
decência de admitir que está indo embora porque o seu projeto
pessoal de poder naufragou e, diante do novo cenário político
nacional, tem pouco ou nada para contribuir com a nação. É
infantil e ridículo querer tratá-lo como um exilado político, como
o fizeram os esquerdopatas em fase mais aguda das suas doenças
mentais.
Se as ameaças
sofridas são verdadeiras, a decisão de Jean, além de oportunista,
é covarde, porque foge de uma violência que ele e seu partido
cultivaram ao longo das últimas décadas. São os esquerdistas que
tratam o policial como bandido, e os criminosos como vítimas da
sociedade capitalista, lutam pelo desencarceramento em massa de
condenados e cultuam vagabundos como ícones da resistência contra
o estado opressor. A explosão da violência no Brasil é
fruto direto da política de idolatria da bandidagem e demonização
da atividade policial, com o consequente empoderamento (a esquerda
adora essa expressão) das organizações criminosas. Essas políticas
nefastas são inteiramente de responsabilidade dessa ideologia
esquerdista que há anos domina os poderes constituídos e corrompe
as mentes de administradores, legisladores, juízes e promotores de
justiça.
Os criminosos que
supostamente ameaçaram Jean são do mesmo tipo que matam, roubam,
estupram, sequestram, traficam e ameaçam os brasileiros nas ruas e
nas suas casas. Se Jean fosse coerente, não deveria ter medo do
bandido que lhe ameaçou, mas sim compaixão. Não deveria empreender
esforços para que esse bandido fosse investigado e punido segundo os
ditames de um Código Penal reacionário, mas sim lutar para que lhe
fosse conferido um tratamento progressista que preservasse a sua
dignidade. Aliás, Jean poderia ter conservado o seu mandato para
oferecer ao seu algoz um cargo comissionado em seu gabinete,
livrando-o da pobreza, já que a justificativa número um da esquerda
para o banditismo é a falta de oportunidades. Para ser coerente,
Jean deveria ter ficado no Brasil e sofrer junto com todos os
brasileiros as mazelas da violência que ele e seus companheiros
promoveram nos últimos anos.
Pelo visto, o
criador está com medo da criatura. Enquanto o bandido está solto na
favela, a esquerda caviar reputa-o um pobre coitado e inofensivo. Mas
quando o bandido bate na sua porta, daí nada melhor do que ligar
para o 190.
(1) Narrado por
Leandro Narloch e Duda Teixeira no genial “Guia politicamente
incorreto da América Latina”, p. 148.